1 – A Fisioterapia sempre é necessária após Cirurgia Plástica?

Toda cirurgia onde há um trauma maior, como por exemplo, a lipoaspiração, abdominoplastia, ritidoplastia ou em cirurgias reconstrutivas(oncológicas, queimaduras), terá um benefício importante se conduzido por um fisioterapeuta especializado. Essas cirurgias ocasionam equimoses, edema, retrações na pele e fibroses. O pós- operatório bem conduzido, diminui o tempo que o paciente precisa ficar em repouso e/ou com limitações de movimentos, assim como a dor.

2 – Qual a diferença de drenagem linfática e Fisioterapia Manual em Cirurgia Plástica?

A drenagem linfática é utilizada para redução de edema, porém seus resultados são limitados quando se trata de pós-operatório de cirurgia plástica, onde houve um grande trauma mecânico, uma lesão tecidual. Nesses casos é preciso que haja uma condução do processo cicatricial, diminuir tudo que está ocorrendo em excesso. A drenagem linfática em um paciente que está em cicatrização não terá resultado, pois esse excesso de tecido que está se formando continuará comprimindo os vasos linfáticos, impedindo que o fluxo circule normalmente e assim não irá melhorar o inchaço.

A Fisioterapia Manual em Cirurgia Plástica atua principalmente na prevenção e tratamento de fibroses e aderências. A técnica faz com que o excesso de tecido cicatricial seja degradado e que as fibras de colágeno se depositem de uma maneira mais organizada e alinhada. Consequentemente, tratando a fibrose o fluxo linfático voltará a fluir normalmente.

3 – O que é afinal a Fisioterapia Manual em Cirurgia Plástica?

Fisioterapia Manual em Cirurgia Plástica é uma das técnicas de terapia manual. A terapia manual serve para manipular tecidos moles e articulações, agindo na dor, inflamações e restrições de movimentos. Somente fisioterapeutas estão aptos a realizar essa técnica. A Fisioterapia Manual em Cirurgia Plástica visa reorganizar o tecido cicatricial que está se formando para substituir o tecido lesado na cirurgia. A técnica é explicada através da ação das forças mecânicas x reparo tecidual. As forças mecânicas são: tensão, compressão e cisalhamento. Quando bem aplicadas ao paciente, é possível degradar o excesso de tecido cicatricial e melhorar o alinhamento das fibras de colágeno que estão sendo depositadas. Prevenindo a formação de fibrose, o paciente volta a ter funcionalidade e flexibilidade e o metabolismo volta a fluir normalmente. Além disso, o aspecto estético e funcional final da cirurgia não é comprometido.

A Fisioterapia Manual em Cirurgia Plástica não causa dor, não é realizada com cremes ou óleos, não é associada ao uso de equipamentos e seus resultados são rápidos e efetivos quando aplicados adequadamente.

4 – Quem ganha no final com esse tratamento?

No final todos ganham. Médicos, pacientes e fisioterapeutas.

O médico ganha tranquilidade, segurança e praticidade por saber que seu paciente está sendo acompanhado por um fisioterapeuta especializado. O paciente ganha uma reabilitação bem conduzida, o que lhe garante integridade física e funcional. Fisioterapeuta ganha clientes fiéis e uma rede de indicações. Com uma equipe multidisciplinar todos ganham no final.

5 – Por que não tratar somente pacientes que ficam com dor e limitados?

Antigamente os pacientes buscavam a fisioterapia por causa da dor, limitações de movimentos, edemas e aspectos estéticos indesejados. Buscavam ajuda quando o problema já estava instalado. Por que não prevenir tudo isso?

Uma vez que o cirurgião plástico e os pacientes percebem os resultados de um tratamento adequado, a fisioterapia torna-se uma grande aliada para o sucesso da cirurgia.

6 – A Fisioterapia Manual em Cirurgia Plástica é o mesmo que Liberação Miofascial (Terapia Manual em Ortopedia)?

Não! A Fisioterapia Manual em Cirurgia Plástica é aplicada ao tecido subcutâneo e não na miofascial, como é utilizada na liberação miofascial, que uma técnica da Terapia Manual em Ortopedia. Fisioterapia Manual em Cirurgia Plástica serve para devolver mobilidade em casos de fibroses e aderências em pós-operatório de cirurgias plásticas, sua função é restaurar a integridade e metabolismo do tecido lesado.

7 – Posso usar ultrassom no meu pós-operatório?

Qualquer tratamento que produza calor local irá aumentar a produção de fibroblastos, que é a célula que produz colágeno, aumentando assim a produção de tecido cicatricial que irá resultar em fibrose!

Além disso, o ultrassom pode induzir ao aumento da permeabilidade capilar, que leva à formação de seromas!

8 – Quantas sessões são necessárias até o paciente ter alta?

Se o paciente começar o tratamento no pós-operatório imediato, início da fase inflamatória ou proliferativa da cicatrização, até 5 dias após o procedimento, de 4 a 10 sessões!

9 – Mas a fibrose não é importante para que ocorra a cicatrização?

Sim, a fibrose é uma resposta fisiológica do corpo para cicatrizar a região submetida ao trauma. O fisioterapeuta irá conduzir esse reparo tecidual, permitindo que a fibrose ocorra, porém sem estimulá-la, respeitando todas as fases da cicatrização. Quando bem conduzido, a fibrose irá acontecer de uma maneira menos intensa, menos agressiva e mais organizada. Sendo assim, não irão se formar nodulações na pele, as quais causam efeitos inestéticos no resultado final da cirurgia plástica! Além de prevenir limitações de movimentos que geram dor por muito tempo.

10 – As fibroses mais antigas também respondem ao tratamento?

As fibroses mais antigas irão responder ao tratamento de uma maneira menos intensa. Os resultados não serão tão perceptíveis e satisfatórios quando comparados aos pacientes que realizam tratamento logo após a cirurgia.

11 – Para que serve o tape (terapia compressiva através de bandagens elásticas)?

Uso de tape no pós-operatório de cirurgia plástica tem a mesma função da cinta. Ele diminui o espaço entre a pele e o músculo, no subcutâneo. Contém e restringe a área da lesão. Toda gordura que foi retirada na lipoaspiração, por exemplo, vai ser preenchida por tecido cicatricial. No caso de uma lipoaspiração onde há uma grande extensão de dano tecidual, o corpo entende que esse tecido retirado precisa ser substituído por um novo tecido, começa então o processo cicatricial. Diminuindo o espaço da lesão, conseguimos diminuir a resposta inflamatória e o processo cicatricial será menos intenso. Com uma menor quantidade de tecido cicatricial formada é possível prevenir a formação de fibrose.

Com o tape nós garantimos que na primeira semana de pós-operatório o paciente fique 24 horas por dia com compressão, não é retirado nem para o banho. Além disso a fita tem componentes elásticos que facilitam no quesito conforto em relação às fitas de micropore. Isso não quer dizer que devemos abandonar a cinta, é um tratamento a mais, um complemento. Sendo assim, o tape ajuda a diminuir equimose, fibroses e previne formação de seromas.

12 – Posso usar qualquer tipo de cinta no pós-operatório? Se uso tape (bandagens elásticas) não preciso mais da cinta?

A cinta deve ser justa, porém não apertada demais que forme pregas e garrotes, pois esses podem gerar marcas difíceis de serem removidas na pele. O uso das placas ajuda a não formarem pregas na pele.

A cinta deve ser exclusiva do paciente, não se deve pegar cintas emprestadas já utilizadas, assim como não é aconselhável ajustar as cintas, se sentir que está folgada é melhor comprar uma nova!

O uso do tape não descarta a cinta, ela continua obrigatória pelo menos durante todo o período de cicatrização onde ainda haja formação de fibroses (aproximadamente um mês).

13 – Qualquer profissional pode realizar Fisioterapia Manual em Cirurgia Plástica?

Não, pós-operatório é reabilitação, ou seja, é com fisioterapeuta! O mais indicado é que o fisioterapeuta seja especialista em terapia manual e tenha bastante experiência na área.

Lembrando sempre que aos pós-operatórios de cirurgias plásticas o que interessa é a técnica e não a força, o raciocínio clínico e não protocolos.