É muito comum os pacientes chegarem ao meu consultório com edema, fibroses e restrições de movimentos após terem realizado 30, 40 e às vezes até 60 sessões de drenagem linfática em um pós-operatório de cirurgia plástica.

A maioria dos cirurgiões plásticos e das pacientes ainda acreditam que o pós-operatório de cirurgia plástica é baseado em drenagem linfática e ultrassom.

Essa receita de pós-operatório precisa ser desmistificada por nós, fisioterapeutas.

Por esse motivo que resolvi contar um pouco do meu dia-a-dia do consultório.

Sempre tento explicar, tanto para os cirurgiões plásticos como para os pacientes, que a drenagem linfática é uma excelente técnica para quem tem déficit de sistema linfático, e por consequência, retenção líquida, mas não para um paciente de pós-operatório de cirurgia plástica, que está edemaciado por causa do excesso de tecido cicatricial que está sendo depositado em função do processo cicatricial.

Esse excesso de tecido cicatricial nada mais é que a fibrose, fibrose é uma congestão de tecido, que acaba comprimindo os vasos linfáticos e os nervos.

Se os vasoso linfáticos estão sendo comprimidos por esse excesso de tecido cicatricial, a drenagem linfática não será uma boa opção no tratamento do pós-operatório. Neste caso é preciso degradar esse excesso de tecido cicatricial, para assim desobstruir os vasos linfáticos e fazer com que o metabolismo volte a funcionar normalmente. Isso somente é possível através da Fisioterapia Manual (fisioterapia com as mãos, somente uso das mãos, absolutamente mais nada além das mãos do fisioterapeuta).

E é por isso que muitos pacientes realizam dezenas e dezenas de sessões de drenagem linfática e não melhoram nunca, bem pelo contrário, às vezes pioram o caso, pois quanto mais estímulos dermos a um tecido que está em cicatrização, mais ele vai responder, e sabe como esse tecido responde ao estímulo da drenagem linfática?

Produzindo mais tecido cicatricial, ou seja, mais fibrose. Com a fibrose instalada não conseguimos vencer o edema, as limitações de movimentos e a dor. A dor, muitas vezes, porque assim como os vasos linfáticos são obstruídos, os nervos também estão sendo comprimidos pelo excesso de tecido cicatricial, o que acaba gerando estímulos nervosos de dor.

O pós-operatório de cirurgia plástica precisa ser realizado por um fisioterapeuta.